|
Em Portugal os asininos apesar da elevada importância que sempre assumiram nas actividades rurais, foram ao longo dos séculos votados ao abandono em termos de medidas de protecção ou melhoramento sendo sempre considerados como o parente pobre dos equídeos.
Por variadas razões verifica-se actualmente no território nacional, uma quase total ausência de estudos e referências bibliográficas sobre o burro, sendo manifestamente impossível reconstituir o percurso que terá levado ao surgimento das variedades existentes no território nacional, nomeadamente do burro de Miranda.
Há a salientar um estudo promovido pelo Parque Natural do Douro Internacional, no ano de 1999, sobre os asininos na faixa fronteiriça que corresponde a esta Área Protegida. Os dados obtidos neste estudo permitiram individualizar em termos biométricos e com significância estatística, um grupo de animais existentes fundamentalmente nas freguesias do concelho de Miranda do Douro e parte de Mogadouro (Planalto Mirandês), que constituía cerca de 25% da amostra de animais estudados.
Estes animais apresentaram um conjunto uniforme de características que se assemelham ao padrão da raça Zamorana-Leonesa, proveniente do tronco europeu, de acordo com a teoria sobre a filogenia dos asininos domésticos, acima referida.
As conclusões desse estudo apontaram para a existência de parâmetros zootécnicos e do próprio interesse estratégico e da população humana local, que justificavam o início do processo de criação de uma raça autóctone local. Estas conclusões foram corroboradas por vários indicadores tais como, a existência, desde há décadas, de um grupo de animais com características próprias e distintas de outras raças, que terão surgido na Região Nordeste de Portugal. Este grupo de animais sobreviveu até aos dias de hoje graças à "interioridade" e pela aplicação de processos de selecção, que pela falta de directivas e apoios institucionais, decorreu sob a orientação das carências e necessidades da população rural residente nesta região.
|